Auditor-fiscal preso em operação é acusado de receber pelo menos R$ 6,8 milhões de propina em esquema de fraudes no aeroporto de Fortaleza

  • 25/08/2026
(Foto: Reprodução)
Operação mira esquema de corrupção e lavagem de dinheiro no Aeroporto de Fortaleza O auditor-fiscal Francisco Eliezer Viana da Silva, preso por suspeita de envolvimento em um esquema para fraudar importações no Aeroporto de Fortaleza, teria recebido R$ 6,8 milhões em propina, conforme as investigações. Além de Eliezer, dois empresários foram presos na Bahia: Rodolfo Sergio Martins Maia e Hugo Andrade Mendonça Santos. As prisões ocorreram na Operação Snooker 2, que cumpriu três mandados de prisão, 15 de busca e apreensão, além de apreensão de bens como carros e relógios de luxo. As ações ocorreram nas cidades de Fortaleza, Caucaia e Eusébio, no Ceará; e em Salvador, na Bahia. Siga o canal do g1 Ceará no WhatsApp Segundo a investigação, o grupo importava itens caros, como prata e eletrônicos, e os declarava como itens de menor valor com o objetivo de burlar a fiscalização aduaneira, pagar menos impostos e lucrar mais. Para isso, eles contavam com a atuação direta de Francisco Eliezer no fornecimento de informações, obtenção de laudos periciais falsos e até mesmo interferência direta na fiscalização. Conforme apuração do g1, Eliezer é servidor concursado da Receita Federal desde 1994. Ele estava no cargo no Aeroporto de Fortaleza desde dezembro de 2016 e tinha um salário mensal de mais de R$ 30 mil. Em junho de 2026, quando já era investigado, ele chegou a receber R$ 44 mil devido a gratificação natalina. Francisco Eliezer atuava no gabinete da inspetoria do aeroporto e é suspeito de interferir irregularmente em despachos aduaneiros e fornecer informações e orientações sigilosas sobre comércio exterior. Em troca, ele recebia vantagens como a propina. Ele é apontado como chefe da organização criminosa, com atuação desde pelo menos 2020. LEIA TAMBÉM: Entenda como era o esquema de fraude em importação com propina milionária As investigações identificaram movimentações superiores a R$ 27 milhões entre empresas ligadas ao esquema, de acordo com a Receita Federal. O grupo também teria adquirido aproximadamente R$ 31,8 milhões em criptoativos, sem compatibilidade com as receitas formalmente declaradas. PF faz operação contra fraudes em importações no Aeroporto de Fortaleza PF/Divulgação Os alvos da operação poderão responder pelos crimes de organização criminosa, corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes em operações de importação. Até o momento, o grupo já teve mais de R$ 26 milhões bloqueados em contas bancárias de empresas e pessoas físicas envolvidas nas atividades criminosas, além da apreensão de veículos importados e de uma embarcação de luxo. Ao g1, o advogado de defesa de Francisco Eliezer, Marcelo Oliveira, afirmou ter recebido com surpresa a decisão pela prisão do auditor-fiscal, uma vez que ele já havia sido alvo de um mandado de busca e apreensão anteriormente e havia sido denunciado formalmente pelo Ministério Público, e nenhum fato novo teria ocorrido desde então. O advogado afirmou que, nesse momento, está tomando "todas as medidas jurídicas necessárias para reverter a prisão decretada, para além da demonstração da sua inocência, junto à ação penal". A reportagem não conseguiu localizar as defesas dos empresários Rodolfo Sergio Martins Maia e Hugo Andrade Mendonça Santos. Como atuava o grupo criminoso Empresários e funcionários da Receita são alvos de operação por fraudes em importações Segundo as investigações, o grupo era hierarquizado e dividido em quatro núcleos: público, empresarial, financeiro e auxiliar. As tarefas eram divididas entre um agente público, empresários do setor de importação e pessoas responsáveis por movimentar e ocultar os recursos ilícitos. No centro do esquema estaria o auditor-fiscal Francisco Eliezer, da Receita Federal. Ele teria fornecido informações e orientações sigilosas sobre comércio exterior em benefício de empresas importadoras e despachantes aduaneiros. O grupo funcionava em duas frentes: Umas delas envolve uma empresa importadora, administrada por um empresário cearense, que importava joias de prata e declarava os produtos como semijoias ou bijuterias de metal comum, de valor tributário muito inferior. Conforme a denúncia, o empresário recebia apoio de Eliezer para obter laudos periciais fraudados que atestavam falsamente a natureza do material. A segunda frente envolve um casal de empresários de nacionalidade chinesa, também à frente de outra importadora. O casal subfaturava produtos eletrônicos para reduzir o pagamento de tributos, contando com a intercessão direta de Eliezer para driblar a fiscalização aduaneira. A propina paga por esse grupo é estimada em pelo menos R$ 2,5 milhões. Primeira fase da operação Snooke, realizada em 2025, apreendeu dinheiro com os suspeitos Polícia Federal/ Divulgação Ainda segundo o MPF, outro grupo de investigados é apontado como o núcleo financeiro da organização. Nesse grupo estaria um contador responsável pela constituição de diversas empresas de fachada em nome de terceiros. Ele estaria encarregado de movimentar os valores ilícitos e disfarçar o repasse de propina ao agente público. "Dois integrantes desse núcleo, responsáveis de fato por empresas importadoras de fachada, teriam pago ao auditor-fiscal, em contrapartida a informações privilegiadas sobre procedimentos internos da Receita Federal, pelo menos R$ 3,1 milhões", explica o órgão. A denúncia ainda fala de um suposto núcleo auxiliar do esquema, formado por familiares de Francisco Eliezer (entre eles cônjuge, filhas, irmãos e um cunhado), que teriam recebido pagamentos e bens adquiridos com recursos de origem ilícita. Nesse núcleo, também estariam pessoas que emprestaram seus nomes para figurar formalmente como responsáveis por empresas e contas bancárias usadas na lavagem de dinheiro. O núcleo financeiro é apontado, em conjunto com um núcleo auxiliar, como responsável pela movimentação de mais de R$ 103,3 milhões por meio de empresas sem atividade econômica real. Polícia Federal apreende em Salvador (BA) lancha de grupo suspeito de fraudar importações em Fortaleza (CE) Polícia Federal Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:

FONTE: https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2026/08/25/auditor-fiscal-preso-em-operacao-e-acusado-de-receber-pelo-menos-r-68-milhoes-de-propina-em-esquema-de-fraudes-no-aeroporto-de-fortaleza.ghtml


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